CERILUZ, além da energia.

Notícias

Família Sisti: Superando morros e pedras

Publicada em 10/12/2008 por Imprensa CERILUZ
Seu Nelson colhendo laranjas

A área é inclinada e coberta de pedras, lá na comunidade de Salto, interior de Bozano. Para muitos não teria grande serventia, pois ali não se planta soja, trigo ou outras commodities. Mas, para a família de Nelson Sisti é neste lugar que está o seu principal ganha pão. Eles cultivam 12 hectares, quatro próprios e o restante do pai de seu Nelson. Na área acidentada são cultivados três hectares de laranja, das espécies tubias, valência e folha murcha, e entre elas, o trevo yuti, que ajuda a aumentar o nitrogênio e o cálcio do solo. O lucro das frutas já ajudou a construir a casa nova, adquirir uma caminhonete e também um carro, além de ser fundamental para ajudar a filha Aline a cursar Administração.

E tudo isso começou em um período de dificuldades. “São os momentos difíceis que testam o galo”, comenta seu Nelson, com uma nova versão para o termo “na crise que se cresce”. O mais impressionante é que a produção atual, de cerca de 2,5 mil caixas de laranja por safra, é resultado de R$ 400,00 recebidos do governo num ano de seca braba. Várias famílias receberam essa ajuda, alguns valores até maiores, mas poucos prosperaram como seu Nelson. Ele e a esposa Ilda trabalhavam na época com pecuária de leite, criavam algumas galinhas e porcos. Seu Nelson também estava envolvido com o trabalho sindical, mas frustrou-se no dia em que uma mobilização que deveria reunir mais de duas mil pessoas para reivindicar preços melhores ao leite, juntou apenas seis indivíduos. “Percebi que precisava me dedicar a propriedade e produzir algo que desse retorno, que pudesse entregar direto ao consumidor”, recorda. Optou pela laranja, nem ele sabe direito porque, mas sabe que vem dando certo. Inicialmente comprava e revendia, mas aos poucos foi implantando o pomar que hoje cobre o morro. Com uma Kombi velha levava seu produto para a cidade de Ijuí. Hoje já faz as entregas com a caminhonete 4 Mil. Além da laranja, ele planta cebola, feijão e outros hortigranjeiros.

No início sobrava mais do que hoje, mas ao comparar com a cultura da soja - que ele também planta na área mais plana - percebe que as laranjas ainda apresentam um resultado bastante superior. Aumentou a concorrência e o preço dos insumos também. “O adubo em 10 anos subiu 500% e a laranja nem 50%”, explica, citando uma notícia que leu. Para compensar, organizou a sua produção de modo que tenha produtos fora da época normal, de grande oferta. “Eu não me preocupo com a concorrência, apenas preciso ser o melhor. Hoje não adianta ter volume, mas saber vender na hora certa”, afirma, demonstrando conhecimento sobre a lei de oferta e demanda. Para manter as frutas conservadas por mais tempo, investiu em irrigação por gotejamento. Capta a água em uma fonte natural e joga em um reservatório no alto do morro. De lá a água escorre por gravidade, pingando sobre as raízes das laranjeiras, que nestas tardes de verão de quase 40 graus agradecem. Investiu com orientação técnica, primeiro com recursos próprios e depois com ajuda da prefeitura. Também é a tecnologia que facilita o combate às pragas e doenças. Já para a colheita não tem remédio: esta é manual e feita por seu Nelson e dona Ilda.  

 “Já vivi momentos melhores com a laranja, mas apesar de tudo ainda é um bom negócio”, conclui. Com certeza seu Nelson e dona Ilda vão continuar trabalhando com a fruta, até porque, a filha mais nova, de apenas quatro anos, Vivian, já pensa na faculdade, a exemplo da irmã mais velha. E vê-las formadas é o sonho dos pais.

Topo

Programa Além da Energia

Como ocorre a geração de energia?

Benefícios Sociais

Desligamentos programados

© 2008 - Ceriluz

desenvolvido por Z.