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Uma usina com capacidade de gerar quase 15 Megawat/hora de energia, como é o caso da José Barasuol, usa uma tecnologia ultra-avançada, não é? Nem tanto assim! Na verdade é uma ideia antiga, apenas aprimorada. Seu Joaquim Lorenzoni, agricultor de Colônia Santo Antônio, em Ijuí, é a prova disso. A Ceriluz completa no mês de agosto, dez anos de geração de energia, processo iniciado com a Usina Nilo Bonfanti, no rio Buricá, em Chiapetta. Muito antes de a Ceriluz existir, no entanto, a família Lorenzoni já produzia energia em sua propriedade, num sistema semelhante ao das atuais usinas, apenas em proporções menores.
Durante a 2ª Guerra Mundial, começou a faltar querosene para alimentar os candeeiros. Na casa dos Lorenzoni esse combustível passou a ser substituído por banha animal, até 1945, quando passaram a gerar energia através de um dínamo, movido por uma roda d’água que está na propriedade até hoje e faz funcionar um moinho desde 1930. “Nós tínhamos um dínamo para carregar baterias de seis volts. Colocamos uma redezinha de dois fios e passamos a alimentar algumas lâmpadas fracas com as baterias”, recorda seu Joaquim, que ainda era criança na época. Eram necessárias aproximadamente 48 horas para carregar uma única bateria.
A sua casa era iluminada assim, até o ano de 1951, quando o pai de Joaquim comprou um gerador de corrente contínua, que funcionou durante dez anos, quando foi substituído por um alternador de 3Kva, que ainda está na propriedade, embora desativado. “A partir daí nós já instalamos energia aqui na minha casa, na casa do meu pai, do meu irmão e de um vizinho, que morava perto”, lembra. Eram as únicas casas da região com luz elétrica, enquanto todos os demais moradores ainda se utilizavam dos candeeiros de banha ou querosene. Essa energia possibilitou ligar a primeira geladeira e um motor para puxar água.
A família Lorenzoni produziu energia através do seu gerador até meados de 1975, quando, enfim, chegou à comunidade à rede de energia da Ceriluz, uma das primeiras construídas na região. Ao longo dos anos a infraestrutura foi melhorando, assim como a qualidade da energia. A geração própria foi um marco para a cooperativa, chegando ao auge em 2005 com o início do funcionamento da Usina José Barasuol, que garantiu a autossuficiência e muitos benefícios sociais para os associados. “Hoje, com as usinas que temos e construindo mais algumas, vai ficar muito bom, pois nossa energia sai muito mais em conta que a energia do Estado. Depois da instalação das usinas praticamente não se têm problema nenhum”, afirma.
A roda d’água continua exercendo sua força motriz nas terras de seu Joaquim, não mais movimentando o gerador, mas ainda o moinho de pedra, máquinas de marcenaria e uma bomba para irrigação da lavoura de feijão e milho. Está tudo lá para ser visto, como 50 anos atrás, ou até 80 se falarmos do moinho. Seu Joaquim não produz mais energia na propriedade, mas ele, assim como os outros associados da Ceriluz, ajuda a gerar energia ao confiar no trabalho da cooperativa.
MAIS HISTÓRIA – Quem também recorda dos tempos difíceis em que não havia energia são Armelinda e Adelino Libardi, descritos em uma singela carta que enviaram à direção. “Nós tínhamos muita dificuldade para conservar o leite”, recordam. A solução, na época, era aproveitar um poço que existia na propriedade, onde era retirada água, à manivela. “Nós soltávamos o balde de leite pela corda até a água onde deixávamos até o dia seguinte, quando o leiteiro vinha pegar”, explicam.
A carne também exigia um cuidado especial. Uma das práticas consistia em, após carnear um animal, fritar toda a carne e guardá-la na banha. Ou então, secar ao sol, o que dava muito trabalho. “Quando chegou o pessoal da Ceriluz não pensamos duas vezes e nos associamos, pagando a nova rede em dez anos. Hoje não nos arrependemos”. A energia permitiu muitos confortos que até então não existiam. Além da luz que ilumina a casa da família, também permitiu o funcionamento da geladeira, do rádio, da televisão e demais equipamentos elétricos. Hoje eles conseguem conservar todos os alimentos e garantir, acima de tudo, muita saúde. Mais do que a energia de qualidade, o casal também é beneficiado pelo Seguro Residencial e o Plano de Saúde oferecido pela cooperativa. “Se não fosse a Ceriluz, nós não poderíamos ter um plano de Saúde”, concluem, agradecidos.
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