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“Eu não tenho resultado imediato, mas no futuro, essa atividade pode apresentar um bom rendimento. Mais do que isso, essa cultura tem um importante papel para recuperação ambiental”. A frase é de Waldemar Heldwein, proprietário da Fazendo Capão da Erva, em Augusto Pestana. Ele se refere à atividade especificada no nome da propriedade. O produtor resolveu manter o nome original da fazenda, batizada assim em razão de ali ter havido uma área nativa de erva-mate há alguns anos, agora já desmatada. Quando adquiriu a área, há aproximadamente 15 anos, optou por fazer jus ao nome e começou a cultivar a planta que hoje ocupa cerca de sete hectares, num total de 170. Os demais são cultivadas em parceria com o cunhado Valter Driemeyer com lavouras tradicionais como a soja, o trigo, o milho e forrageiras para pecuária de leite e corte.
A propriedade de seu Waldemar não chama a atenção apenas pela cultura diferenciada, mas pelo seu manejo, principalmente. O encontramos ainda na cidade, em sua casa e seguimos o seu carro por alguns quilômetros até chegar à área em questão. Antes mesmo de paramos ele já sinalizava pela janela, com o dedo indicador em riste, o barranco ao lado da estrada. Ali já se percebia o seu objetivo real. O produtor plantou erva-mate e outras espécies nativas no barranco e sob a sua sombra está implantando a grama aracs pintóia, tudo com o objetivo é evitar a erosão.
Todo o trabalho feito na propriedade tem o objetivo de promover uma recuperação ambiental, garantindo também resultados econômicos em médio prazo. “Onde não dá para trabalhar com máquinas, estou estruturando a área visando à retenção de água e a recuperação ambiental”, comenta. Quando adquiriu a propriedade, aquele local estava muito comprometido por erosões que abriram valas no campo aberto. Aos poucos isso está sendo revertido.
Não é apenas a erva-mate que desempenha esse importante papel. Waldemar cultiva os sete hectares em um sistema consorciado, cultivando entre a erva-mate, também nogueiras e outras frutíferas, domésticas ou silvestres. Ali também trabalham algumas abelhas, hospedadas por seu Waldemar em caixas ali instaladas.
“O consórcio de nozes com erva é inédito no Brasil, garante sombra no verão e luz no inverno, quando as folhas caem. O resultado é uma erva-mate de ótima qualidade”, afirma. A aracs pintóia também desempenha sua função preventiva a erosão na estrada de acesso ao erval, enquanto que sob as árvores essa função é do trevo Yuchi, planta rasteira que depois de madura, seca promovendo a adubação natural do solo. O trabalho todo é desenvolvido com o mínimo possível de produtos químicos, apenas a adubação do trevo e eventualmente dessecante em pequenos focos de plantas daninhas. Em geral a limpeza é feita com a enxada, ou até mesmo com a própria mão quando a ferramenta não está presente. Enquanto apresentava a sua propriedade, por exemplo, seu Waldemar se agachava com frequência para arrancar algum inço. “Não dá para bobear, senão o inço toma conta”, justifica. Mas, a verdade é que a propriedade é muito limpa, resultado desse trabalho rigoroso. As plantas invasoras com sementes ele recolhe e deposita em um saco para depois serem transportadas para um local onde não incomodem.
Atualmente existem no local cerca de 12 mil pés de erva-mate e mil nogueiras. Waldemar acredita que a cada dois anos são colhidas cerca de 40 toneladas de erva que abastecem uma ervateira familiar em Augusto Pestana. Já entre as nogueiras, apenas algumas estão iniciando a produção. Outras recém foram implantadas e têm seu sistema genético melhorado a partir da enxertia. Uma nova técnica, agora, vai enxertar também plantas já adultas, a partir dos galhos.
Há ali um sistema de “murunduns”, valas que acumulam a água da chuva e aos poucos as derivam para toda a área do erval através dos “ladrões”, irrigando as plantas e evitando que toda essa água escorra veloz na lavoura, causando danos e se perdendo. A terra porosa, resultado da cobertura vegetal, permite a melhor infiltração da água no solo. Sistema semelhante de coleta de água também é utilizado numa reserva de eucaliptos. Sob as árvores de finalidade comercial o produtor ainda cultiva a braquiaria, capim utilizado na alimentação de um rebanho de red angus em parceria com o cunhado Valter.
Essa organização, capricho e otimismo com a agricultura é resultado de sua formação técnica, que inclui especialização na Alemanha e anos de trabalho em empresas agropecuárias da região. Waldemar foi pioneiro no processo de intercâmbio de conhecimentos realizado entre o Brasil e a Alemanha. Em 1961 ele enfrentou uma viagem de 15 dias de navio, do porto de Santos até Hamburgo e permaneceu estagiando por dois anos no País. Um ano antes, formando-se em técnicas agrícolas em um colégio de Teutônia, como melhor aluno, foi premiado com uma bolsa de estudos pelo governo do Estado no país europeu. Morava em propriedades familiares e estudava no Instituto Alemão de Tecnologias Agrícolas (Deula) de Rendsburg. Ele foi, inclusive, um dos fundadores da Deula-Ijuí, ramificação no Brasil da Deula-Nienburg que leva anualmente estagiários à Alemanha. Conhecimento e experiência acumulados por muito tempo e que permitem que, hoje, seu Waldemar dê exemplos de uma agricultura sustentável.
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