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O recomeço da família Gallina

Publicada em 13/03/2009 por Imprensa CERILUZ
A família recomeça a sua vida cheia de esperanças de um futuro melhor que o passado de dificuldades

Benjamin Galinna pegou sua esposa Oneide e seu filho Mateus pelas mãos e rumou para um novo destino, um novo lugar que passariam a chamar de lar. Eram meados de setembro de 2002. Não que essa partida fosse motivada por sua vontade, pelo contrário. Mas, um choque cultural e entraves legais fizeram com que a família viesse morar na comunidade Cristo Rei, junto com outras 22 famílias, que formaram o assentamento em Chiapetta.

Essa história, no entanto, começou muito antes, ainda com seus pais no início do século no município de Constantina. A área adquirida com muito esforço pelas famílias tornou-se reserva indígena já em 1911, o que foi oficializado com a Constituição de 1988. A partir daí começaram-se os problemas e desentendimentos entre os colonos e índios. Benjamin era dirigente sindical e defendia o direito dos “brancos”, como eram chamados, e não era bem visto pelos indígenas, que também lutavam pelo que a lei lhes oferecia. Enfim, após muitas disputas, principalmente durante toda a década de 1990, algumas famílias foram indenizados pela Fundação Nacional do Índio (Funai), inclusive os Gallina, que juntaram seus pertences e mudaram-se para o assentamento de 736 hectares. Outras ainda permanecem por lá e seguem buscando que os direitos de ambos os lados sejam cumpridos, sem prejuízos. “Foi um período muito difícil, de grande desgaste espiritual. Muitos, como o meu pai, relutaram em sair de lá e estão em depressão, afinal, viveram sua vida toda naquele local. Mas, assim foi melhor do que ter de conviver constantemente com incertezas”, comenta Oneide.

Benjamin não reclama de sua sorte atual, pelo contrário. “Passamos por um período ruim, mas eu não me arrependo de ter vindo para cá”. Aos olhos do pai de família, Cristo Rei é um paraíso onde suas vidas estão recomeçando. “Outros, se pudessem voltariam, mas eu logo me adaptei e gosto muito de morar aqui”, garante ele.

Aos poucos a família tenta melhorar sua vida e ao que tudo indica vem dando certo. Nos 17,5 hectares que possuem plantam soja e milho. Porém, eles estão apostando mesmo na pecuária leiteira. Ainda precisam melhorar a infraestrutura da propriedade, preparando-a para a produção e, para isso, contam com o apoio da Ceriluz que logo disponibilizou a energia elétrica necessária. “O projeto desde o início foi trifásico, o que é uma vantagem, principalmente para a atividade que eu estou implantando”, acredita Benjamin.

Importante também, para Oneide, foram os encontros com associados e associadas realizados pela cooperativa. “Foram atividades que ajudaram a melhorar nossa autoestima, que estava tão abalada pelos últimos acontecimentos”, recorda.  A família busca participar de todos os encontros, já aderiu ao seguro residencial e se beneficia dos descontos na conta de energia. “A cooperativa está sendo muito importante nesse momento de recomeço”, agradece a agricultora.

O clima é de esperança e vontade de trabalhar na busca pelo sucesso. Mesmo que o filho único Mateus - que sonha em ser um grande lateral direito de um bom time de futebol - não permaneça na propriedade, eles ainda irão desfrutar por muitos anos desse chão que lhes é abençoado, como o Paraíso

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