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Ceriluz segue sua busca pela geração de energia limpa

Publicada em 23/09/2009 por Imprensa CERILUZ
O engenheiro João Fernado (E) e Samuel Rubert (D) em vista à biodigestor na Alemanha

O Protocolo de Quioto (Japão) foi discutido por representantes de vários países em 1997 e constitui-se em um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global. Os seus termos entraram em vigor em fevereiro de 2005, quando mais de 55% dos países do mundo, geradores de 55% dos poluentes, o assinaram. As metas de redução não são homogêneas a todos os países, colocando níveis diferenciados para os 38 países que mais emitem gases. Países em franco desenvolvimento (como Brasil, México, Argentina e Índia) não receberam metas de redução, mas organizações, como a Ceriluz, já assumiram essa responsabilidade.

Uma das propostas é para que os países, seus órgãos e empresas passem a gerar energia limpa. A hidroenergia, gerada em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) como a José Barasuol, já é considerada limpa por gerar baixo impacto ambiental, inclusive gerando créditos de carbono. Estes créditos ou a Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente corresponde a um crédito de carbono que pode ser negociado no mercado internacional. Esse sistema, também chamado de "sumidouros de carbono" foram referendados em 2001, em Bonn, na Alemanha.

A Alemanha, aliás, é um dos países mais adiantados no processo de geração de energias alternativas. Conforme o engenheiro eletricista João Fernando Costa, da Ceriluz, a energia eólica, o biogás e as pequenas PCHs, representam cerca de 15% da produção local, enquanto que as demais são usinas nucleares e termoelétricas. “Mas a Alemanha firmou um compromisso de, até 2020, substituir toda a sua energia nuclear por fontes alternativas”, acrescenta Samuel Rubert, estudante, que realiza trabalho de conclusão do curso de engenharia elétrica voltado para o estudo do biogás e sua adaptação no Brasil. Ambos estiveram no país europeu em agosto, integrando a comitiva da Deula-Brasil. Todos os anos esta instituição leva jovens agricultores brasileiros com descendência alemã para aquele país, onde realizam o estágio de um ano, em propriedades e escolas locais. Quando esse grupo viaja uma comitiva de representantes de empresas e entidades brasileiras vai junto. E o João e o Samuel foram com eles.

O objetivo principal da visita dos dois à Alemanha foi conhecer usinas de produção de energia por meio do biogás e também de aerogeradores. “O biogás e a energia eólica são atividades econômicas desenvolvidas nas propriedades rurais, ao lado de outras atividades como a criação de gado, suínos e a produção de alimentos”, explica João. A partir das informações levantadas na Alemanha, o objetivo é iniciar um estudo para verificar a viabilidade de um biodigestor na região. “Hoje, no Brasil, nós não temos essa tecnologia de biodigestores com alto rendimento, apenas de baixo rendimento. A proposta da ceriluz hoje é fazer um estudo, para ver se nós podemos trazer essa tecnologia que existe na Alemanha para cá”, acrescenta o engenheiro.

O biogás existe em todo o tipo de matéria orgânica em decomposição. “Lá eles utilizam sistemas baseados principalmente na produção agrícola, principalmente milho, de resíduos animais e também lixo orgânico. O biogás é passado de biodigestores para grupos motores, ou seja, ao invés de termos uma turbina movida a água temos um motor movido a biogás para gerar energia”, explica Samuel. Pelo sistema evita-se que gases como o metano - 21 vezes mais poluente que o gás carbono – chegue à atmosfera, transformando-se em energia em um gerador elétrico movido pelo gás, combustível que substitui o gás natural. Estudos apontam que no Brasil é produzido 8% do metano jogado na atmosfera, no mundo. “Este é um potencial de geração que está sendo desperdiçado”, salienta João.

Através do Biogás a Alemanha encontrou uma solução para o destino do esterco animal gerado nas propriedades rurais e, ao mesmo tempo, representa um resultado econômico para os agricultores, que utilizam também a silagem, que proporciona um alto rendimento para o sistema. “Essa viagem permitiu que nós abríssemos horizontes. Aqui nós tínhamos o conhecimento do nosso cotidiano regional, e lá, tivemos a oportunidade de conhecer novas tecnologias onde se busca sempre o melhor”, resume o engenheiro.  O biogás, portanto, pode vir a ser mais uma alternativa de geração de energia limpa na Ceriluz, caso demonstre ser viável na nossa realidade.

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