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Piracema exige atenção especial nas hidrelétricas

Publicada em 27/10/2009 por Imprensa CERILUZ
O canal que permite os peixes transporem a barragem

A primavera e o verão são estações de muitas mudanças na natureza. Caracterizam-se principalmente pela reprodução das espécies. Entre os seres vivos que se renovam estão os peixes, que sobem os rios na chamada Piracema. É quando acontece a migração das matrizes com o objetivo reprodutivo, quando elas se deslocam para os locais de reprodução, onde fazem a desova. “Estes locais apresentam condições específicas para o desenvolvimento dos ovos e das larvas, mas não necessariamente para os filhotes, que descem o rio novamente para as áreas de várzea”, explica a bióloga Francesca Werner Ferreira, que presta serviços de monitoramento da fauna aquática nas usinas da Ceriluz. “Esse fenômeno natural não tem uma data determinada, depende das condições ambientais, especialmente da temperatura e da quantidade de água. Períodos de água mais quente, de bastante chuva com aumento do volume de água, são estímulos para a reprodução, enquanto que a escassez e a água mais fria podem atrasar este movimento”, explica a bióloga.

Pela legislação federal, no entanto, a Piracema estende-se de 01 de outubro de 2009 a 31 de janeiro de 2010. Este calendário impõe restrições à exploração dos rios, principalmente no que diz respeito à pesca, que está proibida com redes de qualquer tamanho, tarrafas e espinheis. Atualmente é possível pescar apenas com vara, linha e anzol, e poucos equipamentos, respeitando as matrizes reprodutivas. “Este não é um período de pesca livre e a fiscalização aumenta bastante, justamente porque são os maiores indivíduos, as matrizes, que estão subindo o rio. Se pescarmos estas matrizes, a gente não vai ter peixes no futuro”, alerta Francesca. Ela acrescenta que em razão do alto índice de chuvas atuais, os peixes já iniciaram esta migração, embora a temperatura da água se mantenha um pouco mais baixa do que anos anteriores.

Barramentos como os provocados por usinas, inclusive pequenas centrais hidrelétricas, como as da Ceriluz, provocam a interrupção das rotas migratórias. Para minimizar este impacto, está previsto na legislação a instalação de sistemas de transposição de peixes, conhecidos como escadas de peixe ou elevadores. Buscando cumprir as normas ambientais a Ceriluz instalou uma escada de peixe na sua PCH José Barasuol, no rio Ijuí. Foi a primeira tentativa de se fazer um sistema de transposição na região, e que vem dando certo. Além disso, com o objetivo de reduzir os impactos a cooperativa busca coibir a pesca durante todo o ano, num espaço de 1,5 mil metros próximo as instalações hidrelétricas, como preveem as normas ambientais. Isso ocorre porque é comum os peixes acumularem-se nas quedas das barragens, tornando-se presas fáceis.

Monitoramentos realizados pela Ceriluz e outras entidades que atuam na bacia do rio Ijuí, dão conta de que existem hoje 93 espécies diferentes de peixes. “Algumas delas apresentam identificação duvidosa, de modo que esse número pode aumentar para mais de cem”, salienta Francesca. Na bacia do rio Uruguai já foram identificadas em torno de 270 variedades, sendo que algumas possuem uma população mais expressiva e outras são bastante raras. Além das nativas, são encontradas também espécies exóticas, como todos os tipos de carpas, tilápias e catfishs, as duas últimas com cultivo proibido no Rio Grande do Sul.    

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