CERILUZ, além da energia.

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COOPERATIVA DE AMIGOS

Publicada em 28/07/2010 por Imprensa Ceriluz
O sr. Siegfried e a esposa Lídia, em seu recanto às margens do rio Faxinal

               Do que mesmo seu Siegfrid e dona Lídia fogem? Ah sim, da rotina dos dias de semana. Se é que dá pra se considerar rotina o trabalho na sua propriedade rural, aquela, lá “da cidade”. Ele cultiva de tudo um pouco - soja, milho e trigo - desde quando se mudou para o local, em 1955. A pecuária de leite ele abandonou a cinco anos, quando sentiu que o tempo havia feito seu trabalho, lhe conduzindo até a boa idade. Tem ainda algumas vaquinhas, porcos e galinhas, mas apenas para o consumo. “Tenho meus bichinhos, minha hortinha, meu pomar, mas é para alimentar minha família e, se sobrar, para meus amigos”, afirma ele, demonstrando ser um homem generoso.

                Seu Siegfrid recorda dos anos de juventude e de trabalho suado, que sustentou seus filhos, que há muito tempo não moram mais com o casal. Trabalho esse que foi facilitado pela chegada da luz elétrica, em 1974, não só na sua propriedade, mas em outras 36 da comunidade. Desenvolvimento que se deve muito a ele, que se mobilizou para solicitar a instalação de uma rede de energia. “Fui até chamado de louco quando fui à Ceriluz requerer a luz. Mas valeu a pena! Logo recebemos luz elétrica e a última prestação foi paga apenas com duas galinhas”, recorda. A energia trouxe desenvolvimento e entre 1980 e 1985, seu Siegfrid construiu uma nova casa, já com energia para seus eletrodomésticos e equipamentos. Conquistou uma vida confortável, como sempre quis.

               A cooperativa de amigos – Passados tantos anos, com a vida estabilizada e os filhos estabelecidos, apenas seu Siegfrid e a dona Lídia em casa, ele teve a ideia: fazer o Camping da Família. “A Ceriluz não é uma família, formada por várias outras famílias? Então, eu também criei uma nova família, de parentes e amigos, voltada para o lazer”, afirma. Assim surgiu o camping, em uma área de aproximadamente cinco hectares de mata nativa, a dois quilômetros da sede da propriedade. Colocou sua antiga casa às margens do Poço Fundo e com a ajuda de muitos amigos criou o recanto. Juntando tijolos aqui, madeira ali, telhas acolá, colocou varanda, churrasqueira, forno à lenha e um fogão de chapa, para preparar a carne ou o peixe do jeito que preferir. “Gastei muito pouco dinheiro, consegui montar tudo com a ajuda dos amigos”, garante. Agora um pequeno museu está sendo montado. A Ceriluz mais uma vez foi parceira e, no ano passado, disponibilizou energia também para o camping, luz que chegou no dia do aniversário de seu Siegfrid, dia 22 de setembro. Mas a chuva impediu a comemoração, que aconteceu apenas no dia 04 de outubro. Um novo transformador instalado na comunidade resolveu o problema da falta de energia nas festas da família - realizadas sempre em janeiro – e nos encontros rotineiros dos “cooperados”. Foi possível aposentar as lamparinas e agora tem água quente no chuveiro, para aquecer o corpo depois dos banhos de rio.

               A inauguração do camping aconteceu em março. “Lidei mais de cinco anos para fazer este camping, que não é comercial, e sim, familiar”, afirma Siegfrid com veemência. No dia 23 de maio deste ano fez um almoço para todos os que se empenharam de uma ou outra forma para concretizar esse sonho. Um “baita” porco no rolete foi assado e oferecido aos cerca de 80 convidados, acompanhado de saladas, mandioca, arroz... A bebida era por conta de cada um. Uma grande comemoração com um custo mínimo. Coisa de cooperativa.

               O local agora está à disposição para comemorações familiares a todos que ajudaram a concretizar o recanto. Assim o casal espanta a solidão. “Nós não nos sentimos sós. Nossos filhos e netos estão sempre por aqui e temos também este grande círculo de amizade”, confirma dona Lídia. As únicas exigências do seu Siegfrid: preservação da mata e da estrutura física, e muita diversão. Ele também recomenda cuidado no Poço Fundo, que estima ter mais de sete metros de profundidade. Afinal, quer ter sempre junto consigo os amigos que conquistou e que formam a cooperativa do lazer. 

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