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Sua vida foi de muitos altos e baixos. Foi em um dos períodos mais difíceis, quando ele havia sido vencido pelo alcoolismo, que surgiu o trabalho de historiador e de recuperação de objetos antigos. Atividade que lhe devolveu a dignidade e que ocupou os últimos 20 anos. Foi quando trabalhava de ambulante, vendendo vassouras, garapa e outros produtos nas ruas do município, que o ex-professor estadual e municipal idealizou um novo sonho: construir um museu. Foi também neste momento que começou a juntar a maioria das 929 peças que formam atualmente o museu, além das fotografias, que compõem um acervo de mais de 2 mil artefatos históricos. “Eu chego a me arrepiar quando lembro de todo o trabalho que tive para montar este acervo histórico. Gastei dinheiro, fui chamado de louco, disseram que Catuípe não tinha história, mas hoje, sou homenageado, e essa conquista me gratifica”, afirma.
Seu Savariz também já tem várias publicações, dez, entre cadernos e livros históricos e de ficção. Resultado da ajuda de amigos, apoio que demorou para conseguir. “Por muito tempo trabalhei sozinho, com exceção de alguns professores que acreditaram no meu trabalho”, nos conta ele com esforço, em função de problemas recentes de saúde. Seu trabalho como escritor lhe rendeu o convite para a Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul (Almurs).
O que iniciou como algumas pesquisas para estudantes universitários, culminou no museu. A criação da Associação Cultural Rio Branco, em 2003, facilitou o trabalho do seu Claudionor, que recebeu apoio da comunidade, entidades e também do poder público. Inicialmente o museu esteve localizado na Escola Estadual de 2º Grau Catuípe (CIEP), até o ano de 2006, quando foi transferido para um prédio cedido pela Ceriluz em forma de comodato, onde está até hoje, na rua Salvador Urbano dos Santos, número 59.
É para lá que convidamos o homem que recuperou a história de Catuípe para ir, fazer algumas fotos. No caminho ele continua sua história. Hoje, seu Claudionor e os integrantes da associação cultural não precisam mais se empenhar tanto para juntar as peças do museu. Quando chegamos, nos perguntamos se ainda há o que juntar. “No início eu precisa ir atrás, pedir as coisas, hoje a comunidade já traz aqui”, afirma seu Savariz, gratificado. A intenção dos organizadores é montar exposições temáticas. “Mas as pessoas fazem questão de mostrar o que disponibilizam e querem que esteja sempre exposto, para todos verem”, salienta o historiador. Enquanto observa as peças espalhadas pelo espaço, ele agradece a todos que se empenharam e o ajudaram na construção deste sonho.
Se estiver na cidade, com um tempinho sobrando, faça uma visita à Casa de Cultura, Museu e Arquivo Municipal, para conhecer o trabalho do seu Claudionor Antônio Savariz e também das professoras Neiva Maria Dalsochio e Maria Aparecida Damo, que estão se empenhando para catalogar e organizar todo o acervo. Não podíamos sair de lá sem parabenizar o trabalho de todos. O museu está aberto ao público de segunda à sexta-feira. Na parte da manhã o horário de atendimento é das 8h30 às 11h15, enquanto que a tarde o museu está aberto das 13h45 às 16h45. Grupos podem agendar a visita pelo telefone 3336-1167. Quem visitar sairá com certeza de que Catuípe tem sim muita história.
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